segunda-feira, 21 de março de 2011

Privatização dos lucros e socialização dos prejuízos

Fase saudosista: Outro artigo publicado no jornal Diário da Manhã, no dia 25 de setembro de 2008 (ou até o dia 30, não sei precisar). Era o início da avalanche da crise econômica de 2008, Henrique Meireles ainda era presidente do Bacen e Lula do Brasil. Tsunami no Japão era algo inimaginável.


Essa é a frase que melhor define a crise financeira americana: a privatização dos lucros e a socialização dos prejuízos. As instituições financeiras, loucas para multiplicar a dinheirama que alguém um dia espalhou nesse mundão de meu Deus, quando viam os zeros à direita cada vez mais numerosos e brilhantes em suas contas de investimentos, não se preocuparam que um dia a fonte pudesse secar. Foram tantas especulações, contratos de risco somados à ganância norte-americana, que assistimos de camarote, aqui no emergente Brasil, a derrocada do Tio Sam. Sim, os Estados Unidos da América quebraram. E foi feio. E continua feia a situação por lá.

Agora, depois dos Brothers e da Merryll entrarem no vermelho (um quebrado e outro vendido às pressas para não ter o mesmo fim trágico do primeiro), e a maior seguradora do mundo pedindo no chapéu uma esmolinha de US$ 75 bilhões para se manter de pé, assistimos o Congresso Americano ser pressionado pelo Fed (Federeal Reserve, o Banco Central dos gringos americanos) para aprovar um pacote quase trilionário para salvar a economia do país que enche o peito e se declara o número um do mundo. US$ 700 bilhões é muita grana para salvar alguma coisa, e isso já demonstra que a crise lá não é das menores, e que os fatos revelados são apenas a ponta do iceberg. Creio eu, que tem muita sujeira escondida embaixo desse tapete...

Voltando aos zeros. Aonde está os lucros desses bancos que durante anos e anos devem ter acumulado milhões de dólares? O que foi feito desse dinheiro todo? Será que está investido em instituições de caridade, ou foi utilizado para construir casas para os sem-teto ou hospitais públicos? Lógico que não. Esse dinheiro foi muito bem gasto pelos executivos e acionistas das instituições, em carrões, viagens e casas de luxo, e que devem ter chamado de trouxas as pessoas que investiam e lucravam zerinhos, enquanto eles acumulavam zerões. Agora, na hora da quebradeira, eles querem dividir a conta com a sociedade. Claro, se o pacote de R$ 700 bi for aprovado, que estará custeando esse assalto aos cofres públicos é o cidadão estadunidense. O lucro é privado, mas o prejuízo é social. Aos trouxas, o prejú!

Quando o cidadão comum e honesto deixa de pagar uma prestação do bem adquirido, seja carro, casa ou até geladeira, o mínimo que acontece a ele é ter seu nome negativado nos SPCs e Serasas da dívida. Quando não, esse mesmo banco aí de cima, vai lá e toma o bem do trabalhador, que por uma adversidade alheia não pôde mais honrar o compromisso assumido. Aqui percebemos a gritante diferença da tal democracia que rege o capitalismo global: quem tem mais sempre pode mais. Quem tem menos não pode nada, mas tem o direito de aceitar calado.

E a crise americana já respinga em nós, distante milhares de quilômetros fisicamente, mas aproximados através de um fio da rede mundial de computadores. O impacto instantâneo é que o crédito já ficou mais caro. Os bancos reajustaram taxa essa semana, e nós, que nunca ouvimos falar ou realizamos investimos no Lehman Brothers ou no Merryl Linch, vamos pagar o pato, ou melhor, não haverá pato na ceia de fim de ano. O natal será mais caro em todos os aspectos, inclusive pela alta do dólar, mas isso é tema pra um outro artigo.

Tenho lá minhas dúvidas quanto a "pequena" interferência dessa conjuntura em terras tupiniquins, apesar do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmarem em coro que os impactos serão mínimos no Brasil, já que a nossa economia vai muito bem, obrigada. Vamos aguardar os próximos capítulos da novela, vendo as bolsas de todo mundo oscilar num piscar de olhos, para mais ou para menos. Logo logo mais sujeira sairá debaixo do tapete. O FMI já está cuidando disso. A humildade é uma qualidade que não cabe aos Estados Unidos, mas agora eles estão humilhados e envergonhados por saber que não são inabaláveis ou que não estão acima de tudo e de todos. E mais: eles vão precisar de ajuda alheia para dar conta de resolver os próprios problemas, como já estão fazendo os mega-investidores, que estão comprando os papéis podres e injetando bilhões de dólares para sanear a quebradeira.

Por fim, concordo com o presidente Lula: quem provocou a crise, que cuide dela! E que não venha a próxima.

sábado, 12 de março de 2011

Por favor, limpem os banheiros!

Depois de algum tempinho afastada daqui, eis que volto com um gostinho saudosista. Vou republicar o primeiro artigo meu que saiu no Jornal Diário da Manhã, lá pelos idos de 2007, que no meu ponto de vista ainda é muito atual. 



Os empresários, de um modo geral, ainda não perceberam que para aumentar o seu faturamento e o mix de clientes, devem focar boa parte de sua atenção (ou de suas ações) nas mulheres. Calma leitor, a escriba não está tendo um acesso feminista. Existem dados estatísticos aos quais eles deveriam se atentar, e assim, descobrir que o segredo do sucesso, como em tudo na vida (isso é um acesso feminista!), está em nós, mulheres!

As mulheres são maioria da população, representando 45,4% da População Economicamente Ativa (PEA), onde 42,6 milhões estão no mercado de trabalho. Cada vez mais, as mulheres assumem a chefia de suas famílias, e buscam alternativas para aumentar sua renda mensal (dados do IBGE). Segundo o TSE, elas totalizam 67.483.419 do eleitorado, ou 51,72% do total. E quando um casal vai sair, é ela, quase sempre, quem decide o lugar do passeio.

Voltando ao mundo empresarial, e dessa vez falando diretamente com o ramo de entretenimento (bares, restaurantes, boates, cinemas, etc), é fácil agradar as mulheres para que elas se sintam motivadas a retornar à casa numa próxima oportunidade. Comecem pelos banheiros! Sim, as mulheres os adoram, pois é para lá que elas levam as amigas para uma fofoca de última hora, para o retoque da maquiagem, ou simplesmente para o uso habitual. Não há nada mais desagradável do que o espaço ter um bom atendimento, uma comida gostosa, mas na hora de se usar o toalete, ele está imundo. Isso significa, que o empresário não se preocupa em manter limpo uma das áreas mais visitadas do seu estabelecimento. Fico a pensar o que acontece na cozinha...

Há alguns meses, visitei um conhecido espaço de entretenimento de Goiânia , localizado no setor Marista (por existir inúmeros naquele setor, deixo ao leitor o benefício da dúvida). O atendimento era mediano, mas os petiscos estavam saborosos. Fui ao banheiro lavar as mãos, sujas de gordurinha de batata frita. Me surpreendi com a cena que encontrei: parecia que o banheiro acabara de sediar a terceira guerra mundial. As latinhas de lixo não comportavam a enorme quantidade de papéis, que agora preenchiam boa parte do piso do minúsculo box do vaso sanitário. O chão também denunciava que alguma moça passara mal naquele recinto, e os restos de qualquer coisa estavam lá no chão (urght!). A pia estava repleta de água e o espelho tinha até uma marquinhas de batom (ah se as meninas soubessem que o mesmo pano que limpa o chão, limpa o espelho...). Não tive dúvidas: entrei, olhei, lavei rapidamente as mãos e saí.

Na volta, questionei o garçom com qual freqüência os banheiros da casa eram limpos. Ele me respondeu um "acho que a tia da limpeza já foi embora". Fiquei decepcionada. Chamei a turma para trocar de lugar. Fomos para um outro estabelecimento, agora no setor Bela Vista. Adivinha qual foi o primeiro lugar que fui ao chegar lá? No banheiro, claro. Este estava limpinho, e tinha até um cheiro bom no ar (difícil acreditar nisso quando estamos falando de um horário pós meia-noite, mas de fato estava com cheiro de desodorisador de ambientes). Os garçons estavam arrumadinhos (uniforme passado e ainda alinhado) e eram muito educados (tipo de gentileza que toda mulher gosta).

Poxa, adorei! Tudo que quero: um lugar agradável, com pessoas educadas me atendendo, um visual bacana, e um banheiro limpo. Como diz minha ex-editora Cley, "já quero!". Adivinha agora pra onde eu vou quando sair da próxima vez? Por favor empresários: limpem os banheiros. Nós, mulheres, agradecemos. E prometemos voltar, e fazer propaganda positiva de vosso restaurante.